Uma Prova de Amor



Sinopse: Trataremos primeiramente de um filme chamado "Uma Prova de Amor" cujo a problemática se dá na descoberta de uma doença. Quando ainda pequena, os médicos detectam em Kate a presença de leucemia e consequentemente, constatam que a menina teria poucos anos de vida. Ao descobrir - mesmo sendo algo já esperado - que a família não seria compatível com a menina, o médico que trata do caso, intervém, sugerindo aos pais que gerem um filho de proveta, compatível e assim hábil a doar para Kate o que fosse necessário conforme se desenvolvia em seu tratamento e mantendo-a viva o máximo de tempo possível, e os pais adotam a ideia. Disso, Anna vem ao mundo, e, durante sua vida passa por procedimentos em prol da vida da irmã. Quando uma decisão deixa toda a família surpresa: Anna decide requerer autonomia sobre seu corpo processando os pais pelo direito das decisões sobre o mesmo por meio de emancipação médica.

O filme em questão nos convida a inquirir acerca das possíveis consequências e dos desdobramentos que a doença pode infringir aos envolvidos. A problemática nos remete à questão moral em dois pontos delicados presentes neste longa-metragem. Podemos considerar a dor sentida pela portadora da doença como algo passível de compaixão e esforços para sua salvação. Entretanto, em contraposição, existem as privações sofridas por sua irmã mais nova que, gerada exclusivamente com a missão de contribuir para seu bem-estar, pode vir a amargar-se em desprazeres ao ser apenas um mero meio e não um fim. Em diapasão, o cenário em pauta servirá de alicerce para que de acordo com a ética, mais especificamente sob as lentes utilitaristas, possamos incitar um debate moral acerca da problemática brevemente discorrida.

De acordo com o especificado em abas anteriores, o utilitarismo visa o bem estar, de forma que, se maior parte obtiver felicidade dentro do possível, a prática poderá ser considerada moral, ainda que uma parte menor possa passar por sofrimentos. Na situação apresentada pelo filme, pais se encontram "de mãos atadas" diante de uma situação dolorosa. Sua filha tem uma doença em constante regressão e não há nada que possam fazer para salvá-la. Até o momento em que o médico faz a sugestão já supracitada. Sendo esta possivelmente a única saída, eles decidem gerar uma nova criança, cujo futuro já estaria comprometido pelos diversos procedimentos os quais haveria de se submeter, além das possíveis complicações advindas pelos mesmos. Pela ótica utilitarista esta prática seria aceitável, visto que em troca do sofrimento de uma das filhas, os familiares se sentiriam recompensados por verem a outra progredir com possíveis melhoras através do auxílio das doações; a própria poderia se sentir realizada por estar observando sua própria melhora e, eventualmente, as possibilidades de ser curada; e até mesmo a irmã doadora, apesar de estar submetida aos procedimentos e à dor, por conseguinte, poderia sentir-se bem por ser designada à essa função. Neste caso, por este viés, um saldo maior de prazeres se sobressairiam à um saldo menor de dores.

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